TROPICÉRBERO é um projeto de resgate da memória nacional concebido pelos pesquisadores Alberto de Oliveira e Alberto Camarero, autores do livro Cravo na Carne - Fama e Fome
, sobre o faquirismo feminino no Brasil, publicado em 2015 pela editora Veneta.
Dentro desse projeto, o blog ÍNDIA MALUÁ, A FLOR SELVAGEM apresenta a história da bailarina exótica Índia Maluá, discípula legítima da vedete Luz del Fuego, em cuja casa viveu na juventude e que a ensinou a arte de dançar com cobras.
Com uma carreira artística de mais de sessenta anos em atuação, Maluá fez história apresentando-se em teatros, circos, boates e na televisão, além de ter participado de alguns filmes.
Se alguém tiver qualquer material ou lembrança da Índia Maluá ou quiser falar sobre ela, entre em contato com os Albertos através do e-mail:

tropicerbero@gmail.com


Índia Maluá fotografada por Alberto Camarero, 1991

Volto à São Paulo de 1972. Eu participava como ator de um espetáculo teatral, “A Viagem”, uma montagem da produtora Ruth Escobar em seu teatro. Um espetáculo grandioso que contava a saga d’Os Lusíadas com um elenco de mais de sessenta atores. Entre tantos, numa participação especial, havia uma artista de circo contratada para fazer uma dança solo com uma enorme jiboia. Essa era a Índia Maluá. Sempre que eu chegava para o espetáculo ela já estava lá, sentada em algum cantinho da coxia, vestida com o traje de cena e um balaio com a sua serpente. Lembro que mascava fumo e falava baixo e muito pouco. Para mim, naqueles camarins ruidosos, a presença dela era algo instigante. Aproximamo-nos e notei que naquela figura tão reservada, com não mais do que um metro e meio de altura, havia uma mulher poderosa e cheia de coisas pra contar. Claro que me acheguei e passei a ouvir suas histórias maravilhosas. Um repertório de fatos que incluía da aldeia indígena de nascimento aos palcos de Teatro de Revista da Praça Tiradentes, da sua amizade com Luz de Fuego aos puteiros de beira de estrada e inferninhos de Copacabana. Seus muitos abusos em todos os sentidos. Uma vida levada sempre na linha do limite, coisa que poucos sabem onde fica. Hoje somaria a isso tudo suas participações em programas de televisão e inúmeras apresentações em boates gays.
A temporada teatral terminou, trocamos contatos e de quando em quando, eu recebia um telefonema de Maluá me informando a sua localização daquele momento. Não só as dos circos que rodavam pelas estradas como os seus inúmeros endereços residenciais. Nunca soube quem rodava mais, se os tais circos ou ela com sua “mudança” nas costas. Eu a visitava sempre que dava e uma vez, recebi a proposta de virar seu empresário em um projeto ousado. Consistia em montarmos uma tenda itinerante, onde ela se exibiria para um público pagante dançando com suas jiboias. Rodaríamos pela periferia das grandes cidades. Naquele momento, aquilo não cabia no meu projeto de vida. Mesmo achando uma proposta um tanto exótica, confesso que sempre aventei a possibilidade de vir a realizar o sonho dela.
Nossos encontros foram se rareando, assim como suas apresentações, e voltei a encontrá-la recentemente depois de mais de quarenta anos de tê-la conhecido. Dessa feita, ela já com uma idade avançada, vivendo em Florianópolis e ainda sonhando com os holofotes das noites gloriosas de outrora. Seus olhos brilham ou lacrimejam dependendo do teor do que ela traz lá do fundo da sua memória irretocável. As cobras, amigas inseparáveis, já não existem mais, seus trajes de cena jazem amarrotados em suas muitas malas nunca abertas e amontoadas no cubículo em que vive. Um pequeno santuário com a sua cama circundada por velhas fotos e outros mimos da carreira que ela mantém orgulhosamente como registro de sua missão de artista exótica aqui na Terra. Detalhe: suas malas não foram desfeitas para o caso de ser chamada às pressas para novas apresentações em algum palco do Brasil.

Alberto Camarero



Fotografia da Índia Maluá autografada para Alberto Camarero em 1972


Índia Maluá fala sobre sua relação com os animais e as pessoas, 2015

Ao saber da existência da Índia Maluá, a primeira coisa que qualquer um pergunta é: “Mas ela é índia mesmo?”.
Maluá garante que sim. Ou, pelo menos, era o que contava sua mãe, Anelina.
De acordo com Anelina, Maluá teria nascido entre Goiás e Mato Grosso, na Ilha do Bananal, em uma tribo indígena da qual Anelina fazia parte.
O pai de Maluá, porém, não era índio e antes que a filha completasse um ano de idade, ele levou as duas para Bom Conselho, em Pernambuco. Lá, Anelina não foi apresentada a ninguém como sua esposa e passou a servir sua família como empregada doméstica.
É difícil saber quando Maluá nasceu e qual seu verdadeiro nome. Um documento antigo apresenta Maluá como Maria Primavera, nascida na Bahia no dia 24 de agosto de 1931. Em outro, usado até hoje, ela aparece como Teresa, nascida em Goiás no dia 24 de agosto de 1937. Mas em 2015, ao ser indagada sobre sua idade, Maluá não hesitou: afirmou que estava com setenta anos de idade. E explicou que grande parte dos nomes que usou na juventude foram-lhe atribuídos pela vedete Luz del Fuego, provavelmente porque ela ainda era menor de idade e precisava de documentos falsos para trabalhar no teatro. Não é o caso de Primavera, nome que Maluá já usava muito antes de conhecer Luz del Fuego.


Registro de artista da Índia Maluá na Delegacia de Costumes e Diversões do Rio de Janeiro, 1951

Sua infância foi difícil. Ainda nos primeiros anos de vida, foi raptada por ciganos e viveu alguns dias em suas barracas, cercada por “mulheres com lenço e brinco pendurado”. Eles pretendiam vesti-la de anjo e ganhar algum dinheiro com isso. Anelina não descansou enquanto não encontrou a filha e não demorou muito para que a polícia resgatasse Maluá e ela voltasse para a companhia de sua mãe.
Com a mãe, Maluá não era feliz. Anelina era alcoólatra e batia muito nela. Por essa razão, Maluá era constantemente encaminhada ao Juizado de Menores, mas sempre acabava retornando à tutela de Anelina.
Em uma feita, Anelina quis serrar seu braço. Então Maluá fugiu e nunca mais viu sua mãe.
Sobre sua relação com Anelina, Maluá compôs uma música em 1961.

com onze anos, saí de casa
por esse mundo de aventura
deixei lá a minha mãe
que por mim vive a pensar

eu sei que fui uma filha ingrata
mas não tenho a culpa
por uma serra fui cortada
e a marca tenho no braço

por isso, a minha mãe
foi às grades e assim fui embora
chorando o meu remorso
por esse mundo afora

passando fome e frio
tudo já passei na vida
em busca da minha mãe
que tenho como perdida

por isso, eu lhe peço
ó, minha mãe querida
perdoa a tua filha
que ficou desiludida

por isso, eu aqui peço
a quem souber notícia dela
diga-lhe que a filha dela
está chorando à sua espera

peço perdão à minha mãe
oh, mãe querida
onde estás
que não me dás guarida?

É provável que tenha sido na época de sua fuga de casa, para não ser encontrada por sua mãe, que Maluá começou a usar o nome Primavera.
Nos anos que seguiram, ela viveu em Recife e em Olinda. Chegou a ser interna em um colégio dirigido por freiras e alimentou por algum tempo o sonho de tornar-se freira.
“Mas eu aprontava muito... Uma freira, a superiora, me deixou trancada pra ver se eu melhorava de gênio e eu queria arrebentar a porta… E eu me vi trancada, parecia que eu estava num forno, e fiquei com trauma, e tudo... Então, eu planejei que queria fugir dali, entende? Aí, eu saí.”, contou Maluá em entrevista concedida aos Albertos em 2015.
Fora do colégio, ainda muito nova, Maluá trabalhou como empregada doméstica em diversas casas de família. Em uma delas, apaixonou-se pelo filho dos patrões. Ele dizia que namoraria com ela apenas se ela conseguisse tornar-se uma artista famosa. Talvez seu sonho de ser artista tenha começado ali.
De casa em casa, Maluá foi parar em uma em Olinda. Tinha cerca de dez a doze anos de idade. Iludida por um rapaz que conhecera na rua, quase foi violentada por ele. Salva por uma mulher da vizinhança e conduzida à delegacia, sofreu abusos dos policiais, que indevidamente, mandavam que ela abrisse a perna para verificarem se tinha sido deflorada enquanto sua salvadora relatava os acontecimentos ao delegado. Mais tarde, Maluá foi levada ao médico para o exame verdadeiro e percebeu que tinha sido enganada pelos policiais.
Por essa época, Maluá foi convidada por um casal pernambucano que estava de mudança para o Rio de Janeiro para acompanhá-los como babá de seus filhos. Ela aceitou, pois tinha “um sonho para realizar”. Maluá sabia que no Rio de Janeiro, as oportunidades artísticas eram bem maiores.
Com essa família, Maluá morou na Urca. Foi matriculada em uma escola, mas acabou abandonando os estudos. “Fui para a escola... Mas eu ficava na escola e me dava um... Eu queria sair... Não queria ficar... Eu queria era viajar... Ir para o mato... Depois viajar... Era só pensando em viajar...”, revelou ao Albertos em 2015.
No Rio de Janeiro, Maluá também não ficou por muito tempo com a mesma família. Por volta dos treze anos de idade, foi morar com Georgina, uma prostituta. Era tratada por ela como uma filha. Do tempo em que passou em sua companhia, Maluá tem a lembrança de uma ocasião em que acompanhou Georgina a um cabaré e bebeu pela primeira vez. Embriagada, Maluá quebrou tudo no cabaré e causou grande confusão. Um dia, Georgina deixou Maluá na casa de uma vizinha. O tempo foi passando e a meretriz não voltava para buscá-la. Finalmente, a vizinha revelou o motivo à jovem: Georgina suicidara-se por amor.
Recolhida pelo Serviço de Assistência ao Menor, Maluá não demorou para fugir. Morando com amigas, passou a trabalhar como modelo, posando para calendários.
No início dos anos 1950, na Praia Vermelha, Maluá foi vista por um médico, amigo e “olheiro” da vedete Luz del Fuego, nome artístico de Dora Vivacqua, então fazendo grande sucesso no Teatro de Revista estrelando números em que dançava com cobras. O médico convidou Maluá para ir ao seu consultório.


 Índia Maluá no início dos anos 1950, na época em que conheceu a vedete Luz del Fuego

“Então ele perguntou se eu não queria entrar para o teatro… Que eu não tinha idade, era muito nova, mas que essa pessoa que ele ia me apresentar tinha idade de ser minha mãe e ela podia conseguir me encaixar no teatro… Tanto que eu queria realizar o meu sonho… Aí, eu topei. Nisso, ele marcou o encontro... Era uma famosa da época, era Luz del Fuego, que dançava com cobras, e eu como já ia sempre na selva, nasci, e assim, eu não tinha medo. E ele disse que ela poderia me encaixar no teatro, que quem sabe eu ia ser a sucessora dela, da Luz del Fuego... Aí eu me animei, eu disse: ‘Tá bom! Eu vou no consultório.’... Me deu o endereço, na Cinelândia, tal, eu fui... Quando cheguei lá, estava a Luz, toda nua, ela usava uma roupa bem transparente, se via o corpo todo dela sem nada por baixo... Porque ela estava com o carro encostado, ela só andava de carro, né? Para ninguém ver a nudez, que era muito proibida, naquela época tinha muita censura... Aí eu conheci... Assim que ela me viu, ela disse: ‘Pô! Essa eu vou encaixar no teatro da Mary!’, que era a mãe do Daniel Filho, ‘Eu vou encaixar ela na minha revista!’. Ela era estrela do Teatro Follies, em Copacabana... Aí disse que eu ia ser modelo... Por enquanto, eu ia me apresentar como modelo, só posando em pé, para ela entrar...”, contou Maluá aos Albertos sobre seu primeiro encontro com Luz del Fuego.


Índia Maluá conta como conheceu a vedete Luz del Fuego, 2015

Em seguida, Maluá foi morar na casa de Luz del Fuego, na Avenida Niemeyer, onde viveu por um bom tempo.
Uma das coisas que Luz del Fuego fez foi trocar o nome Primavera, pelo qual Maluá ainda era conhecida, por Diacuí, provavelmente por causa da Índia Diacuí, cuja história de amor (pouco depois transformada em tragédia) alcançara grande projeção na época.
Rapidamente, Maluá aprendeu a manipular as cobras e a dançar com elas, passando a substituir Luz del Fuego em alguns espetáculos.
De acordo com Maluá, sua estreia dançando se deu por conta de uma falta de Luz del Fuego: “Ela faltou. Porque estava de cara cheia, bebeu, bebeu, e ela tinha que se apresentar de qualquer jeito... E então, como eu morava com ela e ela já tinha me encaixado no Teatro Follies, só que eu não dançava, eu era modelo… Vim dançar pela primeira vez no lugar dela, substituindo ela, porque meu jeito e o temperamento era todo dela. E eu tinha muita coragem e tudo... Quem podia pegar na cobra era só eu e ela, porque ninguém tinha peito de pegar na cobra, tinham medo... Como o Walter achou que eu tinha que pegar na cobra, substituir ela, me botou no papel dela, aí eu dancei... E todo mundo estranhou porque eu tinha... Talvez eu tinha escola de balé mesmo... Porque eu dançava... E ela não dançava. Ela só... Só andava para lá e para cá com a cobra, que era sucesso, ninguém pegava na cobra... E era um corpo bonito, estava de idade, mas ainda era um corpo escultural o dela... Então eles exploravam muito ela, o corpo dela, botavam sempre como estrela, e toda vez, todo lugar que ela ia trabalhar, ela me levava, porque se ela tomasse umas e outras, eu estava ali para dançar no lugar dela, entendeu?”.
No Carnaval de 1953, um episódio protagonizado por Luz del Fuego e Maluá ganhou as manchetes dos principais jornais cariocas e quase causou a internação da vedete em um hospício. Tudo porque elas tinham passeado de carro seminuas pela cidade e desacatado um policial que as abordara.


 


Índia Maluá e Luz del Fuego na delegacia, presas por atentado ao pudor e desacato no Carnaval de 1953

Maluá também passou a acompanhar Luz del Fuego e seu séquito, formado por jovens garotas, travestis e homossexuais, às sessões de nudismo promovidas pela artista em praias desertas e na Ilha do Sol, que começava a ser frequentada pelo grupo naquele momento.







  
Índia Maluá, a jovem de cabelos negros que aparece em todas as fotografias, e o grupo de nudistas comandado pela vedete Luz del Fuego, integrado, entre outros, pelo ator Domingos Risseto, início dos anos 1950

Convidada pela cantora e atriz Vanja Orico para participar do filme italiano “Yalis, la Vergine del Roncador” em uma cena na qual dançaria com uma cobra, Maluá deixou a casa de Luz del Fuego. As filmagens aconteceram na Ilha do Bananal. Travando conhecimento com uma tribo de verdade que habitava a região, cujo cacique chamava-se Maluá, Vanja Orico sugeriu à bailarina que adotasse o nome Índia Maluá para suas apresentações a partir daquele momento. Com a autorização do cacique, a sugestão foi acatada e esse tornou-se seu nome artístico definitivo.


Índia Maluá retratada em quadro pertencente ao seu acervo pessoal

Envolvida com suas atividades na Ilha do Sol e respondendo ao processo que ameaçava interná-la em um hospício, Luz del Fuego passou a trabalhar cada vez menos em teatros, circos e boates.
Aproveitando o espaço deixado por ela, artistas como a faquiresa Suzy King alcançaram certo cartaz dançando com cobras no Brasil.
Entre essas artistas, estava Maluá, que trabalhou com suas cobras em companhias de Teatro de Revista como as das vedetes Zaquia Jorge e Siwa, em circos, em boates e na televisão.


Orientada por Luz del Fuego na arte de dançar com serpentes e batizada por Vanja Orico com o nome do cacique de uma tribo indígena, nasceu a artista Índia Maluá

As trajetórias de artistas como Maluá costumam ser obscuras. Poucas vezes noticiadas nos jornais e raramente registradas em fotografias e vídeos, suas apresentações, hoje, são privilégio da memória dos que tiveram a oportunidade de assisti-las.
Ao longo de sua carreira, Maluá incrementou seus espetáculos com números de canto (costumava cantar, por exemplo, um samba-canção de Elvira Pagã chamado “Sou feliz”) e com outros bichos além das cobras. Chegou a dançar com tucano, macaco e até com uma coruja. Em seus shows, era anunciada como Índia Maluá, a Flor Selvagem.


Ao longo de sua carreira artística, além de dançar com cobras, a Índia Maluá acrescentou outros números ao repertório de seus espetáculos

No início dos anos 1960, descobriu-se grávida de um músico paraguaio. Despejada do apartamento em que vivia, teve que morar nas ruas do Rio de Janeiro durante alguns dias, até ser finalmente recolhida a uma instituição na qual teve seu bebê, uma menina.
Por aqueles dias, Maluá compôs uma canção.

amar vivo pensando
a quem me traz iludida
vivo triste, abatida sou
uma pobre desiludida

vou amar no mar um peixinho
no mato, um pássaro
já que não acho
quem me tenha amor
vou amar no jardim uma flor, uma flor

saudade, flor que desperta tristeza
no coração
saudade dos que se foram
dos que não voltam mais não

não choro por me deixares
que o jardim mais rosas tem
choro por não encontrares
quem te queiras tanto bem

anda a mágoa em meus olhos
em mim, começa a chover
pelos teus, tudo é a alegria
dentro em mim, é anoitecer

que mais importa a alegria?
se em todo o mundo se vê
se em todo o mundo se vê
a minha única alegria
será você

com o A, escrevo o teu nome
com o S, escrevo saudade
com o P, escrevo paixão
* do meu coração

Ao longo dos anos 1960, Maluá apresentou-se em várias cidades do Brasil e também na América Latina.








Índia Maluá no auge de sua carreira artística, nos anos 1960 e 1970

Em 1967, participou do filme “A Opinião Pública”, de Arnaldo Jabor.


Índia Maluá no filme "A Opinião Pública", 1967

Em 1972, no Café dos Artistas, no Largo do Paissandú, em São Paulo, onde costumavam reunir-se artistas de teatro e de circo, Maluá foi convidada para participar da peça teatral “A Viagem”, no Teatro Ruth Escobar.


Índia Maluá na peça teatral "A Viagem", 1972

Entre os anos 1980 e 1990, com um campo de trabalho cada vez mais limitado, Maluá tornou-se atração frequente em boates gays e em programas de auditório na televisão. Os convites para essas apresentações geralmente eram feitos pelo empresário da noite paulista Darby Daniel.









Nos anos 1980 e 1990, com um campo de atuação cada vez mais limitado, a Índia Maluá passou a apresentar-se principalmente em circos, boates gays e em programas de auditório na televisão

Em 1991, a convite do artista Alberto Camarero, que conhecera quando ambos atuaram em “A Viagem”, Maluá participou da exposição Instalação no Museu da Cidade, em Campinas, no interior de São Paulo. A instalação bolada por Camarero para a exposição homenageava uma figura de sua infância, a faquiresa Verinha, que em 1958, exibira-se em Campinas jejuando durante mais de quarenta dias dentro de uma urna de vidro, deitada sobre pregos, cercada por serpentes. Maluá complementava a instalação do artista – uma urna de vidro com uma cama de pregos em uma rede, suspensa no ar – dançando com suas cobras no ambiente.




A instalação de Alberto Camarero com a participação da Índia Maluá em Campinas, 1991
 
No início dos anos 2010, Maluá deixou São Paulo e foi viver com sua filha em Florianópolis.







Índia Maluá posa para os Albertos em Florianópolis, 2015

Em 2015, a convite dos Albertos, Maluá aceitou ser filmada dançando com uma cobra depois de alguns anos sem apresentar-se.


Índia Maluá dança com uma cobra em Florianópolis, 2015